Otite é uma das queixas mais comuns na clínica veterinária e uma das mais mal tratadas. Não é raro receber tutores que já passaram por 4 ou 5 veterinários, gastaram fortunas em medicamentos, e o pet continua com a mesma otite. Por que isso acontece? Porque otite recorrente quase nunca é apenas otite.
Em resumo
Otite recorrente é sintoma — não é doença. Tratar só o ouvido sem investigar a causa primária é garantia de recidiva. Em 80% dos casos crônicos, a verdadeira causa é alergia.
Anatomia do ouvido canino
O canal auditivo do cão tem formato de 'L', com uma porção vertical longa e uma horizontal mais curta. Esse design dificulta a saída natural de cera, umidade e secreções, criando ambiente perfeito para proliferação de bactérias e leveduras (Malassezia).
Cães com pavilhão auricular caído (Cocker, Basset, Beagle), pelo dentro do canal (Poodle, Shih Tzu) ou anatomia estreita têm risco aumentado.
Por que a otite volta
A medicina veterinária moderna usa o modelo PSPP (Primary, Secondary, Predisposing, Perpetuating) para entender a otite. Tratar só os agentes secundários (bactérias, fungos) sem resolver a causa primária é o erro mais comum.
Causas primárias mais comuns
- Dermatite atópica (responsável por 60-80% das otites recorrentes)
- Alergia alimentar
- Hipotireoidismo e outras endocrinopatias
- Pólipos e tumores no canal
- Corpos estranhos (sementes de capim, especialmente em verões)
- Doenças autoimunes (raras mas existem)
Agentes secundários (oportunistas)
- Malassezia pachydermatis (levedura) — mais de 70% das otites
- Staphylococcus pseudintermedius (bactéria)
- Pseudomonas aeruginosa (bactéria mais resistente)
- Otodectes cynotis (ácaro do ouvido — comum em filhotes)
Sinais que merecem atenção
- Pet balança a cabeça com frequência
- Coça as orelhas com as patas ou contra o chão
- Mau cheiro saindo do canal
- Cera escura, amarelada ou com sangue
- Vermelhidão ou inchaço no canal externo
- Lateralização da cabeça (sinal de envolvimento mais profundo)
- Dor ao toque ou ao abrir a boca
- Em casos graves: perda de equilíbrio, andar em círculos, surdez
Diagnóstico correto
Diagnóstico bem feito é o que separa otite resolvida de otite que volta. Na PetDerma usamos protocolo completo:
- 1Otoscopia tradicional para visualizar canal externo e tímpano
- 2Otoendoscopia (videotoscopia) — câmera HD que mostra todo o canal e estruturas profundas, identifica perfuração, pólipos e corpos estranhos
- 3Citologia do cerúmen — identifica leveduras, bactérias, células inflamatórias
- 4Cultura e antibiograma — para casos resistentes ou com Pseudomonas
- 5Raspado e parasitológico se houver suspeita de ácaros
- 6Investigação de alergia (dermatite atópica concomitante)
Tímpano perfurado
Em otites crônicas, o tímpano pode estar perfurado sem que o tutor perceba. Limpeza com produto errado nesse caso pode causar surdez permanente. Por isso a otoscopia detalhada é essencial antes de qualquer limpeza profunda.
Tratamento moderno
Limpeza do canal
Em casos crônicos, fazemos a limpeza profissional sob sedação leve para garantir conforto e profundidade adequada. Isso é importante porque cera acumulada bloqueia o efeito da medicação tópica.
Medicação direcionada
Antibiótico ou antifúngico escolhido com base na citologia (e antibiograma quando indicado). Tratar 'no escuro' gera resistência bacteriana e prolonga o sofrimento do pet.
Tratamento da causa primária
Sem isso, a otite volta. Se o pet tem dermatite atópica concomitante, tratamos as duas condições juntas. Se é alergia alimentar, fazemos dieta de eliminação. Se é hipotireoidismo, reposição hormonal. É aqui que muitos veterinários falham — e onde o dermatologista veterinário faz a diferença.
Seu pet apresenta esses sinais?
Agende uma avaliação dermatológica especializada na PetDerma. Identificamos a causa raiz e definimos o tratamento certo desde a primeira consulta.




